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Cartas |
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A Madre Javouhey escreveu muito à sua família, às Irmãs, a eclesiásticos, às autoridades civis, a outras pessoas. As 1136 cartas encontradas foram editadas em 1994 num conjunto de quatro volumes, nas edições do Cerf. A sua personalidade, o coração da sua acção, revela-se nesta abundante correspondência de que apresentamos alguns extractos.
Em 1798, a seu pai "Poupe a si próprio o desgaste, que talvez possa vir a sentir, de não ter deixado os seus filhos seguirem a sua vocação. Diga-me, meu querido pai, mas com calma, qual o motivo por que se opõe; é um assunto tão importante que merece que dele me fale. Prometi a Deus dedicar-me totalmente ao serviço dos doentes e à educação das crianças. Escolhi o dia de S. Martinho, dia do meu nascimento, para dar este grande passo. Deus permita que eu oiça da sua boca estas palavras que serão tão consoladoras para o meu coração: “minha filha, faz o que Deus te inspira; só desejo que seja tudo para glória de Deus e para tua felicidade!” Sim, eu sei que a sua felicidade é fazer-nos felizes; quanto a mim, garanto-lhe que nunca o serei se não me der o seu consentimento. Termino, meu querido pai, esperando ouvir de si estas palavras que serão a minha consolação e a sua tranquilidade de espírito."
Em Novembro de 1807, a um chefe de gabinete "Há nove anos o Senhor deu-me a conhecer de uma maneira absolutamente extraordinária mas indubitável que me chamava à vocação que abracei para instruir os pobres e educar crianças órfãs. Eu tinha apenas dezassete ou dezoito anos, e sem quaisquer recursos de que pudesse dispor. Nessa altura, as comunidades tinham sido extintas pela Revolução, tudo parecia tornar este projecto impossível. No entanto o Senhor deu-me a conhecer a Sua Vontade de uma maneira tão nítida que, tendo consultado as pessoas mais competentes da região, todas elas me exortaram a pôr mãos à obra apesar de todas as dificuldades que viesse a encontrar. Os meus pais, depois de três anos de resistência, consentiram por fim em dar-nos os meios precisos para concretizar este projecto."
Em Março de 1822, a seu pai "Acabámos de chegar ao Senegal, depois de uma óptima viagem que durou 26 dias. O pai nunca poderá fazer ideia do que é esta região; a população é demasiada para o espaço. Sinto um desejo imenso de trabalhar para os fazer felizes; se soubesse como até agora tão poucos meios se empregaram para atingir este nobre fim! Vou começar com muito poucas coisas, mas a firme esperança de conseguir dá-me coragem e ajudar-me-á a ultrapassar muitos obstáculos."
Em Setembro de 1822, a sua irmã, Madre Maria José "Quanto gosto de África! Como agradeço a Deus ter-me trazido para cá! No entanto sosseguem, em breve regressarei a França uma vez que assim querem, mas não direi adeus a África; voltarei para continuar a grande obra que Deus, na Sua misericórdia, parece ter-nos confiado."
Em Fevereiro de 1846, a uma Irmã que está em Mayotte "Quero aproveitar a partida das nossas queridas Irmãs de Bourbon para dar sinais de vida e pedir notícias vossas. Como estou desejosa de as receber! E no entanto só daqui a cinco ou seis meses as terei, a não ser que tenham escrito da Goreia. Seja como for, sintam-se sempre muito felizes porque estão a fazer a Santa Vontade de Deus; Ele nunca as abandonará nas misérias e contrariedades que possam encontrar."
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